
Martita dobrava a roupa que tinha vindo do estendal.
Pega numa peça. Pega noutra.
Ouve um zumbido.
Vinha da roupa.
Mas não se via.
O zumbido parou.
Mas logo voltou a ouvir-se.
Surgia quando se mexia o lençol.
Deveria estar no meio dele.
Martita sacode o lençol.
Vira-o para um lado. Vira-o para o outro. E nada.
Repete o processo. E outra vez.
Até que, por fim, vê o bicho e, cheia de medo, atira com o lençol para cima da mesinha da sala!
Já com mais calma, estuda as opções.
Numa situação habitual, o chinelo seria a arma escolhida mas, matar o bicho, implicava sujar o lençol e ter que lavá-lo novamente.
E, como é óbvio, não iria pegar nele com a mão, nem sacudi-lo.
Foi, então, buscar uma toalhita, com a qual pegou no insecto e na qual o embrulhou.
Com o coração aos saltos, o bicho a zumbir e a sensação de formigueiro na mão, do dito cujo a mexer-se no meio da toalhita, Martita conseguiu chegar à rua sem ter um ataque.
E foi na rua que soltou toalhita e insecto, entrando em casa logo em seguida, não fosse ele querer voltar!
