
Martita acorda com os gritos da filha, a chamá-la.
Estava uma intrusa na casa de banho, prestes a atacá-la.
Martita levanta-se, vai a caminho e diz à filha: "Para lá de gritar, não é preciso isso".
Mas, assim que a intrusa se vira, e vem na direcção de Martita, é esta que grita!
E a filha: "Então, dizes-me para não gritar, e depois gritas tu que nem uma louca!"
A intrusa escondeu-se.
A filha de Martita não quer sair, com medo.
Martita não quer entrar, também ela com medo.
A filha acaba por sair.
Martita entra na casa de banho.
Sempre com receio. A tentar ver onde a intrusa se escondeu. Sem sucesso.
De repente, a filha de Martita vê-a.
Está num canto, entre a casa de banho e a cozinha.
Martita aponta a lanterna na sua direcção, faz um gestos estranhos, para ver se a intrusa se incomoda com a luz, mas esta nem se mexe.
Enquanto a filha vigia a bicha, com a lanterna apontada, Martita vai buscar a lata de spray, mas é necessário chegar muito perto da dita cuja. Por isso, muda de ideias.
O mata moscas é mais comprido. Cria uma maior distância de segurança.
Ainda assim, Martita hesita em tocar-lhe. Vai batendo com o mata moscas no chão, perto da intrusa, a ver se a assusta. Nada. Só faz vento, e as patitas da bicha levantam, mas ela não mexe.
Martita decide, então, bater na parede. Caem pedacinhos de tinta no chão, e em cima da dita cuja, mas ela continua sem sair do canto.
Martita toca, então, resignada, com a ponta do mata moscas na pata da bicha, e é quando ela foge a correr.
Martita, numa mistura entre pânico e necessidade de aniquilar a intrusa antes que desapareça de vez, dá-lhe com a pantufa.
Uma vez, duas, três, tantas, que perde a conta. Está a tremer. Dói-lhe o braço.
A filha de Martita pergunta: "Será que está mesmo morta!?"
Na dúvida, mais umas pantufadas.
A intrusa está, definitivamente, morta. Desmembrada.
Martita desfaz-se, então, do cadáver.
Limpa o local do crime.
E volta a deitar-se, a ver se o resto da noite decorre de forma tranquila, enquanto a filha vai tomar banho.
Hoje, a notícia estava em todos os jornais!
Notícia de última hora:
"A assassina da pantufa volta a atacar!"
O crime terá ocorrido esta noite, por volta da 1 da manhã.
De acordo com uma testemunha, que pediu para não ser identificada, a homicida encetou uma perseguição à vítima, acabando por encurralá-la.
Esperou, então, que esta saísse do local onde se tinha tentado esconder, para atacar.
A testemunha afirma que a assassina desferiu vários golpes sobre a vítima, com extrema violência, sem que a vítima pudesse reagir.
Acredita mesmo que os golpes continuaram após a morte da vítima, tal a agressividade da homicida que, desta vez, actuou com uma cúmplice.
No local do crime, foi encontrada apenas parte de um membro inferior, levando a crer que a vítima terá sido desmembrada, e o seu cadáver ocultado.
Também não foi encontrada a arma do crime.
É provável que a assassina alegue, à semelhança dos crimes anteriores, invasão de propriedade por parte da vítima, e legítima defesa, acreditando que a sua vida estava em risco.
Vizinhos poderão ter ouvido alguns distúrbios, mas ninguém se quis intrometer.
O resto da noite decorreu com tranquilidade.
Prevê-se que os crimes continuem a ocorrer nos próximos meses.